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Felipe

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TRANSCRIÇÃO
 


"Ai, meus filhos! Chega dói, nossa... Eu tenho uma filha com uns 16, 17 anos. Eu tenho uma moçinha de 12 e um rapazinho de 6… 

o motivo foi a droga que causou de eu  parar na rua. Pela facilidade de tudo. De não ter aquele tal compromisso. Eu, de idas e vindas, vai fazer uns 18 anos, 17, por aí. De rua. Eu durmo onde eu canso. Mas eu gosto de ficar pelo BRB, ali na Externa, no Buraco do Rato, aqui em frente ao Setor.

Geralmente eu gosto de tomar café lá na quadra 2, lá embaixo. Aí eu tomo café e fico por aqui. A  galera chega e vai me ajudando, aí eu fico por ali tomando algumas bebidas. Eu já tô meio que cansado da rua, né? Tô na hora de se ajeitar. Cansei, pô,de não ter um lugar pra ficar… Exausto, já.

 
A gente não tem um descanso. Porque eu não tenho uma cama, véi. Isso acaba esgotando. Sabe o eu sinto falta? Silêncio. Tem muito bar, com som, de noite, de dia, uma barulheira, um gritaréu. Eu vou pra casa com o familiar, porque na casa do familiar não dá certo, gente. Nossa! Eu me sinto incomodando, mesmo sendo irmão."

Não é minha mãe, não é meu pai, eu me sinto incomodado. Não tenho medo de trabalhar, não. Trabalhei com gesso.Trabalhei na obra. Eu gosto de obra. Sei que um dia vou trabalhar, vou voltar à minha vida normal. Tá dando certo mais não."
 

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"A gente não tem descanso. Porque eu não tenho uma cama, véi. Isso acaba esgotando. Sabe o que eu sinto falta? Silêncio. Tem muito bar, com som, de noite, de dia, uma barulheira, um gritaréu."

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