Gerusa
Ouça o depoimento
Ouça a audiodescrição
TRANSCRIÇÃO
Eu morava no Rio de Janeiro. Eu nunca vivi em situação de rua, porque lá no Rio de Janeiro eu morava em casa alugada. Eu tive que ir pra cá, pra Brasília, e aqui em Brasília eu fiquei em situação de rua. Aí tem sete anos que eu tô em Brasília. E aí depois o Salu, quando abriu o banheiro, o Salu ficou tempo… aí o Salu me chamou pra trabalhar no banheiro.
Esse ano eu voltei pro banheiro de novo, idas e vindas. Quando a gente tá na rua, que a pessoa dá oportunidade, a gente sente importante, a autoestima fica lá em cima, a gente consegue alugar o nosso cantinho pra viver dignamente. As pessoas têm visão da gente como se a gente fosse bandido, como se a gente roubasse, fizesse essas coisas, entendeu?
Eu tô morando lá no Itapuã. Tô dividindo com amigo, e com o dinheiro que eu trabalho no banheiro, que eu recebo, eu ajudo pra dar o aluguel e mando pra minhas filhas, ajudo minhas filhas no Rio de Janeiro, no Espírito Santo. E com banheiro aqui no Centro Comercial Sul, tanto morador de rua utiliza, como parentes e pacientes lá do hospital de base também vêm no banheiro tomar banho, usar o banheiro. E para as pessoas que moram na rua, fica uma mão na roda, porque eles tomam banho, eles se arrumam. A galera na rua, tem as pessoas que tem o vício, que é vício em álcool e droga. Eu sei lidar com elas. Eu tenho paciência, eu dialogo com elas. Tem uma que conseguiu serviço de enfermeira acompanhante. Vem no banheiro tomar banho pra ir pro trabalho. É muito importante o banheiro.
Outro meio de viver, primeiramente, é o tratamento para ele se libertar do álcool e da droga e emprego. Igual eu tenho o meu empreguinho, eu valorizo ele. Tem gente que trabalha vendendo balinha, tem gente que trabalha vendendo cabo de celular, tem uns meninos que trabalham vendendo saco de chão para limpeza. Toma conta de carro, toma conta de estacionamento. Não conseguiu emprego e trabalha por conta própria. Então a valorização do emprego também é importante pra ele sair da rua. Porque muitos meninas querem sair da rua, mas não tem oportunidade porque não tem emprego.

"Com banheiro aqui no Centro Comercial Sul, tanto morador de rua utiliza, como parentes e pacientes lá do hospital de base também vêm no banheiro tomar banho, usar o banheiro. E para as pessoas que moram na rua, fica uma mão na roda, porque eles tomam banho, eles se arrumam."
